







A vontade de escrever sobre próteses médicas surgiu após assistirmos um vídeo que contava um pouco do trabalho de uma mulher extraordinária, a artista Anna Coleman Ladd e suas próteses para reconstrução facial destinadas a soldados mutilados durante a primeira guerra mundial.
Anna estudou artes em Paris e em Roma, e apesar de ter feito alguns trabalhos como escritora seu trabalho sempre foi mais focado na escultura. Em 1917, seu marido que era médico foi indicado como diretor do Departamento Infantil da Cruz Vermelha em Toul, então eles tiveram que se mudar para a França. Lá ela conheceu o trabalho de Francis Derwent Wood, que trabalhava no Departamento de Desfiguração Facial em Paris.
Depois de entender o processo Anna abriu um estúdio com o apoio da Cruz Vermelha para fazer máscaras para esses soldados que sofreram mutilações durante a guerra.
O processo de produção da prótese passava por algumas etapas, primeiro, era feito um molde do rosto do soldado, assim era possível visualizar as partes que deveriam ser preenchidas e corrigidas. Depois era feito uma máscara, geralmente com cobre galvanizado, por ser um material leve, terceiro, a pintura, para essa etapa o soldado deveria colocar a máscara para que a Anna pudesse pintar, dessa forma ela conseguia deixar a pintura o mais próximo do tom de pele do paciente. E por fim, se fosse necessário, ela também podia reconstruir bigodes e sobrancelhas, todos com cabelos de verdade.
Esse trabalho incrível rendeu diversas cartas emocionantes de agradecimento de soldados que retomaram suas vidas, retomaram seus sonhos e sua auto-estima. Cartas essas que foram encontradas junto com seu diário.
O departamento responsável por ajudar os soldados mutilados foi dissolvido em 1919. Nesse curto espaço de tempo Anna produziu cerca de 185 máscaras. Com o fim do projeto Anna deixou Paris e seu trabalho foi extremamente elogiado e reconhecido por colegas e pelo governo Francês.
Em 1932 ela ganhou a medalha da Ordem Nacional da Legião de Honra, na França e uma medalha da Ordem de São Sava, na Sérvia.
Anna continuou esculpindo tanto em granito quanto em bronze e expôs seus trabalhos em várias galerias pelos Estados Unidos.
Anna morreu com 60 anos em Santa Bárbara, na Califórnia, em 3 de junho de 1939.
Bom... Depois de conhecer melhor a história da Anna ficamos encantados e nos perguntamos quais seriam os problemas de hoje para uma pessoa precisar de uma prótese facial, e como que por destino descobrimos que uma aluna nossa, Zélia Araújo, trabalha na área médica de próteses, então pedimos ajuda para entender melhor os desafios deste mercado, entre outras questões, confira a entrevista abaixo.
RFS: Como você começou a trabalhar com próteses com finalidade estética? E há quanto tempo você já trabalha com isso?
Z: Eu sou formada há 13 anos como PROTÉTICA. Eu já trabalhava com Próteses Dentárias após auxiliar dentistas, e na minha constante busca em me aprimorar eu assisti uma palestra com o Professor Éderson Orlandi e resolvi fazer o curso, a princípio por curiosidade, então eu o convidei para ministrar um curso no meu Centro de Aprimoramento e me identifiquei na hora!
Hoje trabalho no Laboratório Labor Total com mais especialidades: Especialista em Prótese Total, Ocularista (Prótese Ocular), Anaplastologista (Prótese Facial, Aréola, Auricular, Nasal) e sou sócia do Centro de Aprimoramento Labor Total.
Foto: Centro de Aprimoramento Labor Total
RFS: Sua profissão tem algum nome específico?
Z: Podemos dividir da seguinte forma:
RFS: Atualmente, quais são os problemas mais comuns que as pessoas enfrentam para precisar de uma prótese?
Z: Na Anaplastologia são vários casos como, acidentes, doenças congênitas, mas a maior procura ainda são os pacientes Oncológicos (pacientes que tiveram ou tem algum tipo de câncer).
RFS: Como funciona o seu processo de trabalho? A produção é feita por uma equipe ou o mesmo profissional é responsável por todas as etapas de produção e acabamento da prótese?
Z: Pode ser por um profissional como também toda equipe, onde dividimos as tarefas e conseguimos confeccionar mais próteses. O legal é andar na mesma sintonia.
RFS: Quais materiais você utiliza e quanto tempo em média leva para uma prótese ficar pronta?
Z: É bem difícil falar em tempo, porque tem casos bem complicados que demandam mais tempo e mais provas antes da finalização, um caso mais tranquilo o tempo varia de 15 dias a 1 mês.
Materiais mais utilizados para as confecções são: ceras, plastilinas para modelagem, silicones, pigmentos para caracterização, metal fundido, resinas e gesso.
Para cada tipo de prótese existe um material mais adequado.
RFS: Como a prótese é fixada no rosto?
Z: A Prótese Facial é fixada com uma cola própria para pele (cola capilar) ou imãs, depende do caso.
RFS: É possível lavar? E no caso das mulheres, é possível maquiar por cima?
Z: Devem ser higienizados com água e sabão neutro. Podem ser maquiadas, só que deixamos avisadas que a sua duração será menor.
RFS: Quanto tempo dura esse tipo de prótese?
Z: Normalmente indicamos a troca em cinco anos, mas vai depender muito do paciente. Em relação à higienização, no uso correto, colar e retirar.
RFS: Qual foi a maior dificuldade que você enfrentou/enfrenta nessa profissão?
Z: Foi no começo, quando ampliamos as especialidades no Laboratório, porque na Dentária o contato com os pacientes são mínimos, mas as Faciais e Oculares são diretos e no começo foi bem chocante!
Hoje estou mais tranquila, porém, ainda cada paciente “marca” de alguma forma, mas estamos felizes em poder ter adicionado mais especialidades no Labor Total.
RFS: Quais conhecimentos técnicos um profissional dessa área deve ter?
Z:Não precisa de faculdade, aliás os cursos superiores de próteses acabaram, só tem para dentistas-protesistas, mas existem cursos como Técnico de Prótese Dentária para conhecer bem os materiais e manuseá-los, curso de Anaplastologia e também super indico o curso de escultura
figurativa onde aprendi mais técnicas tanto no uso da plastilina quanto o
estudo de anatomia do corpo, o curso com o Rick abrilhantou
ainda mais minha área, achei aexperiência sensacional, todos esses julgo serem importantíssimos para entregar próteses com qualidade. Tenho paixão por adquirir novas
técnicas para resolver melhor cada desafio.
RFS: Você tem contato direto com os pacientes e suas histórias, muitas vezes eles estão sofrendo e estão com sua autoestima destruída, e com certeza, existe muita expectativa em cima do seu trabalho, e do resultado da prótese. Acho que eles enxergam esse trabalho como a luz no fim do túnel. Como você lida com esse caldeirão de emoções? Tanto as emoções do paciente, quanto as suas também...
Z: Infelizmente as histórias são todas tristes, porque sofreram muito até chegar até nós, tanto os pacientes como seus familiares. Contudo, chegam com uma expectativa gigante e a nossa responsabilidade só aumenta (rs)... Explico que faremos a prótese e que é UMA PRÓTESE. Nem sempre fica tão boa por motivos do espaço protético e que às vezes não dá para fazer muita coisa, mas a esperança em nós sempre continua.
Em relação ao caldeirão de emoções, é uma adrenalina do começo ao fim. Sinto a vibração dos pacientes e familiares durante todo o processo, na verdade, começo a sentir logo quando ligam me perguntando se faço (rsrsrs)...
Mesmo em meio à tanta adrenalina, espiritualmente falando, acredito que estamos sendo preparados e equilibrados a todo o momento que estamos em contato com eles e durante as confecções das próteses, porque quando finalizamos eu paro e penso... Como foi que eu tive tanta força? (rsrsrs) Acredito que são os anjos me acompanhando sempre!
RFS: E quando as próteses ficam prontas, qual é a sensação?
Z: Sensação de dever cumprido!
Tanto os pacientes e familiares, quanto nós, ficamos na expectativa ao instalar a prótese, só saberemos se ficou boa no final quando verificamos a harmonização da cor da prótese com a da pele do paciente e adaptação. Nós profissionais ficamos focados nestas verificações finais, enquanto isso o paciente e seus familiares já estão vibrando de alegria, pois já conseguimos reabilitá-los, e para eles é tudo que precisam!
O mais gratificante pós-instalação é presenciar na hora as ligações para cabeleireiros, combinando festas, almoços e viagens... a alegria deles ao voltar para suas vidas sociais. Os agradecimentos dos seus familiares com a batalha vencida, a felicidade pairando por todos os lados, só posso chamar de ESPERANÇA RENOVADA, são estas as palavras que me fazem seguir para o próximo caso e na melhor das energias por fazer o bem para alguém!
RFS: Você já pensou em desistir dessa profissão por algum motivo?
Z: Não me vejo fazendo outra coisa! Tenho uma paixão enorme por esta profissão e só aumenta a cada dia!
RFS: Qual foi a prótese mais difícil que você já fez?
Z: Para mim, quando se trata de naturalização e dedicação, todas se tornam bem difíceis, mas teve um caso que foi bem difícil porque o paciente era uma criança de 10 anos e devido a várias cirurgias, tinha um trauma muito grande, foi mais complicado no começo para ele aceitar, mas na segunda prova da prótese conseguimos deixá-lo tranquilo, concluímos com o resultado bem satisfatório e nosso pequeno saiu super feliz e com sua bola de futebol nova (rsrs).
Trabalhar com crianças abala um pouco mais!
RFS: Por fim... Qual é a sua dica para quem tem interesse em seguir nessa área? Por onde começar? Que tipos de empresas prestam este serviço?
Z: Muita dedicação, muito amor pelo próximo, acreditar que nem sempre você vai trabalhar por dinheiro e sim para ajudar, saber que você vai deixar alguém feliz e grato pelo seu trabalho o resto da vida não tem preço.
Ao entrar nesta área você vai sentir a necessidade de sempre querer buscar o melhor para os seus pacientes, a sensação de querer chegar à perfeição e realismo é infinita!
Hospitais, laboratórios e clínicas são os locais que nós profissionais mais trabalhamos.
Veja uma entrevista com o Professor Éderson Orlandi
No vídeo abaixo você poderá ver um pouco do processo de produção das próteses.
A arte apenas para contemplação e reflexão já são extremamente importantes para a cultura de uma sociedade, mas quando aliamos a arte com medicina para devolver a esperança para pessoas que já sofreram tanto... É realmente incrível! Os profissionais dessa área são verdadeiros heróis e merecem todo o nosso respeito e admiração! Parabéns!
Esperamos que você tenha gostado dessa matéria. =)
Labor Total
Fonte:
https://www.braskem.com.br/paratletismo-infografico
https://passofirme.wordpress.com/tag/historia-das-proteses/
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-uma-protese-e-instalada/
https://veja.abril.com.br/ciencia/medicina-impressa-os-avancos-que-a-tecnologia-3d-trouxe-a-saude/
Rick Fernandes Studio
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